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Influenciadores: a importância e os perigos

Eu conseguia milhares de dólares aos fins de semana vendendo cartões de beisebol e brinquedos e itens de vendas de garagem antes mesmo de chegar à faculdade. Com 18 e 19 e 20 anos, já sabia muito bem o que era um negócio”. Esse trecho é de um post escrito por Gary Vaynerchuk, um empresário e escritor norte-americano que acumulou mais de um milhão de seguidores no LinkedIn. E ele ainda continua: “Quando eu tinha 14 ou 15 anos, percebi que nunca seria o quarterback dos New York Jets. Em vez disso, eu iria comprar o time, e isso se tornou meu objetivo“.

E, é claro, um influenciador com um milhão de seguidores para impactar é um aliado poderoso na era da informação/internet/redes sociais. Isso é indiscutível. Mas as coisas não são tão simples assim. Se por um lado o retorno pode ser positivo, por outro pode ser catastrófico.

Um bom exemplo disso é o caso recente dos falsos influenciadores criados pela Agência de Marketing Mediakix, que criou duas contas de “influenciadores” usando seguidores e comentários comprados e conseguiu garantir quatro patrocínios de marcas grandes. Isso mesmo que você leu: dois influenciadores falsos foram contratados por empresas reais e foram pagos!

A agência criou contas de Instagram, uma de “lifestyle e moda” e uma para uma “fotógrafa de viagens e aventura”. O primeiro perfil utilizou fotos de uma modelo em vários locais (tiradas durante uma única sessão de fotos de um dia). A segunda conta foi criada usando unicamente fotos de banco de imagens de destinos populares, como Paris e Maui – além de imagens genéricas de jovens mulheres loiras fotografadas em diferentes destinos para descrever a fotógrafa.

O próximo passo foi garantir que a página parecesse ser atualizada regularmente, e eles fizeram isso com posts diários. Bastou eles comprarem 1.000  “seguidores” fantasma por dia de sites que vendiam falsas contas do Instagram e chegaram ao ponto de comprar até 15.000 por vez. Desse modo, os perfis chegaram a um total de 80.000 seguidores (30.000 para a conta de viagem e 50.000 para a conta de moda).

As contas do Instagram foram inscritas em plataformas de marketing, onde receberam quatro ofertas de patrocínio: o perfil de moda recebeu uma proposta de uma empresa de maiô e outro de uma empresa de alimentos e bebidas. Já a conta de viagem fechou acordos com uma marca de álcool e a mesma empresa de alimentos e bebidas. Para cada campanha, as “influenciadoras” receberam compensações monetárias, produtos gratuitos ou ambos.

Fica então o alerta, as marcas e empresas precisam estudar e analisar com cuidado absoluto aqueles que irão apoiar e patrocinar. Em uma época tão focada quanto a nossa no “sucesso” em redes sociais, é preocupante que as marcas se preocupem unicamente com os números que esses “influenciadores” têm a mostrar, especialmente se, como foi nesse caso, esses números forem completamente vazios.

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Guilherme Aleixo

Guilherme Aleixo

Guilherme Aleixo é um nerd de carteirinha, viciado em seriados e livros e jornalista por formação. Com 27 anos, já trabalha na blogosfera há uns bons doze, revezando-se entre blogs, páginas, comunidades (no extinto Orkut) e até mesmo um pouco pelo mundo real. É um prazer, e a gente se vê por aí (ou não).

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