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Fake News, redes sociais e fé nos números?

Muito se fala hoje em dia sobre notícias falsas que se espalham como rastilho de pólvora nas redes sociais. Vivemos um período turbulento e polarizado no Brasil e com a audiência inflamada, a coisa mais fácil do planeta é emplacar uma notícia falsa em qualquer rede social. Se bem contada, a mentira vai facilmente se tornar real. Um exemplo clássico foi a brincadeira realizada há alguns anos em um famoso evento de internet, onde um influenciador inventou durante uma palestra, a notícia de que o ator que interpretava o Senhor Barriga, na icônica série Chaves, havia falecido.

Mas essa “síndrome do pescador”, de inventar fatos, extrapola o simples conceito de plantar notícias na mídia. Conceito aliás que nem é novo. Notícias sempre foram plantadas na mídia, quando convém a determinados grupos, manipulação de massa e aquela coisa toda. Basta que nós, audiência, tenhamos um pouquinho de critério. Para desacreditar uma notícia falsa, uma busca no Google resolve. É simples.

Agora essa história de plantar e aumentar fatos se torna um problema quando resolve-se maquiar números. O Facebook, de acordo com ele mesmo, tem agora 2 bilhões de usuários ativos por mês na rede social. Oportunidade irresistível para gerar notícia, certo?

Muitas publicações reproduziram apenas a declaração de Mark Zuckerberg, para marcar a ocasião. É um número relevante, importante e eu não quero jogar água no chopp, mas ninguém parou pra pensar que o Facebook, segundo ELE MESMO, bateu o recorde? E que ele, Facebook, não libera lá muitos dados sobre isso? Só o número?

Vamos lá: 2 bilhões de usuários ativos por mês. O que quer dizer isso? O que conta como ativo exatamente? Login automático conta? E porque essa é uma métrica relevante mesmo? Alguém sabe o que ela quer dizer? É por horas em que esse usuário fica logado?

Mas com essa marca, a mídia prefere se focar em mostrar outros números relevantes fornecidos por, bem, fornecidos pelo próprio Facebook, que claro, sugerem que a maioria das pessoas praticamente não sai do Facebook.
Eu não estou fazendo nenhuma acusação, quero deixar isso bem claro, nem sobre o Facebook e nem sobre outras redes sociais. Mas eu acho que são perguntas que deveriam ser feitas. Afinal de contas os anunciantes e agências precisam de relatórios e números para provar eficiência e justificar investimento.

Só para exemplificar melhor, em setembro passado, o Wall Street Journal soltou uma matéria que tinha a seguinte manchete:

Facebook superestimou a métrica principal de vídeo por dois anos

Rede social errou os cálculos do tempo médio que usuários gastaram vendo vídeo na sua plataforma.

Bem forte não? O Facebook soltou uma nota pedindo desculpas na época, dizendo que assim que eles descobriram a falha, ela foi corrigida. Por outro lado, essa matéria do Digiday, diz que a taxa de visualizações caiu 20%, segundo algumas agências. Ou seja, seis meses após a correção do erro o Facebook finalmente concordou em deixar auditores de fora conferirem os números. Aí os dados não foram tão bonitos assim. E o ciclo segue: Hype, super aceitação e confiança, seguido por uma dúvida repentina, reclamações, auditoria externa e assim vai, até a próxima “super ferramenta que vai mudar tudo” ser lançada.

Claro que números que estão sempre em ascensão são uma parte extremamente importante. Faz parte da narrativa, do storytelling de uma empresa que tem a história que o Facebook tem. Mas por mais que os números sejam sempre “utópicos” e casem com aquela utopia de um mundo globalizado, super conectado do futuro, nós aqui do outro lado temos que ser sempre céticos. Por que a gente vive hoje, não no futuro.

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Leonardo Ferreira

Leonardo Ferreira

Designer, nerd desde sempre, guitarrista frustrado e ficando cada dia mais careca. Fã de tecnologia, pizza, Rock e chegado em jogar videogame quando não tem nada melhor pra fazer. Alguns diriam que eu sou um hipster daqueles, mas não uso óculos ainda.

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